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domingo, 14 de outubro de 2012

SP: Haddad se altera com 'kit gay' e imita bordão de Russomanno

Fernando Haddad (PT) fez uma carreata de campanha no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Terra
Fernando Haddad (PT) fez uma carreata de campanha no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo
Foto: Paulo Pinto/Terra

DASSLER MARQUES

Direto de São Paulo
Uma pergunta a respeito do polêmico kit anti-homofobia causou irritação aFernando Haddad no início da tarde deste domingo. O candidato do PT à prefeitura de São Paulo foi questionado sobre comentários do adversárioJosé Serra, do PSDB, se poderia lançar material semelhante para a capital - foi durante a gestão de Haddad que o ministério da Educação criou o kit, vetado pela presidente Dilma Rousseff (PT). Em um momento de nervosismo, Haddad chegou até a quase repetir um bordão de Celso Russomanno, do PRB, e pediu mais discussões sobre propostas para a capital durante o segundo turno.
"Não vou comentar mais ataques pessoais do Serra. É um ataque pessoal. Ele sempre distorce a informação e não vou mais comentar, já estou cansado desse tipo de ataque", disse Haddad. A pergunta feita ao petista visava repercutir declaração de Serra sobre o kit anti-homofobia, chamado também de "kit-gay" por opositores da proposta. Ao Estado de S. Paulo, o tucano afirmou que "o kit gay quer doutrinar em vez de educar". A insistência sobre o tema aumentou a irritação do ex-ministro, que fez carreata no Jaçanã, na zona norte.
"O seu jornal (Folha de S. Paulo) hoje escreve um editorial pedindo para a gente discutir propostas para a cidade. Ontem (sábado) pediu para parar de discutir assuntos que não têm interesse ao município, inclusive esse. Aceito a proposta da Folha e estendo o convite ao meu adversário. Vamos parar de discutir coisas sem importância, já resolvidas, e vamos discutir a cidade", pediu. Durante o primeiro turno, Russomanno popularizou o bordão "vamos discutir São Paulo".
Anteriormente, Haddad havia enumerado seu programa de educação para São Paulo em função da proximidade do dia dos professores, na segunda-feira. O petista defende a criação de 31 centros universitários na capital para "oferecer aos professores da rede municipal e estadual a especialização, mestrado e doutorado. "São polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Há mais de 600 em operação pelo Brasil e nenhum em São Paulo. Deveria ter pelo menos uns 30".
O ex-ministro da Educação e também professor defendeu a educação em tempo integral como alternativa à discussão sobre progressão automática ou repetência. "Em toda escola que estiver com a média do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), abaixo da média municipal, vamos oferecer educação em tempo integral". Haddad ainda citou a criação de uma universidade federal na zona leste e um instituto federal na zona norte, além de enumerar estratégias para zerar o déficit de vagas em creche em São Paulo, hoje estimado em 150 mil.
Kit anti-homofobia
Com base em estudo que apontava depressão e baixo rendimento escolar entre alunos gays, entre a 6ª à 9ª séries, o Ministério da Educação desenvolveu material didático como combate a homofobia nas escolas públicas. Com vídeos, boletins e cartilhas, abordava o universo de adolescentes homossexuais, o que gerou protestos da ala conservadora em Brasília. Diante da pressão, em especial da bancada evangélica na Câmara, a presidente Dilma recolheu o material. Neste domingo, Haddad disse ainda que "a prefeitura e o estado têm um material" e que "é constitucional".

Terra Noticias