O líder do PT na Câmara dos Deputados, Jilmar Tatto (SP), defendeu nesta quarta-feira o ex-ministro José Dirceu, condenado pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção ativa. Segundo o parlamentar, a decisão da Suprema Corte não influência nos rumos do partido. "O PT tem uma opinião e o fato concreto é que já existe uma decisão, que está julgada. Em função disso não se discute. A história do Zé Dirceu é uma história de quem é bravo, de que resiste e ele não vai receber de cabeça baixa. Isso não significa que não vai aceitar a decisão, até porque não tem outra alternativa. Ele vai tentar provar sua inocência, em todos os mecanismos. Mas o PT é uma instituição que independe disso".
Quando questionado se o partido temia pelo uso do mensalão mensalão contra as campanhas petistas pelo Brasil, Tatto afirmou que isso não deve ser motivo de preocupação e que a população está focada em outros problemas das cidades. O deputado, que participou de uma reunião na sede do diretório nacional, em São Paulo, aproveitou para cutucar os que fazem ataques ao PT em campanhas eleitorais.
"Acho que não pode prejudicar porque são problemas diferentes. As cidades e a população estão preocupadas com creches, buracos na rua, lixo, questão a ambiental. E o candidato que vai ganhar a eleição vai ser o que conseguir apresentar melhor proposta, melhor programa para resolver os problemas das cidades. E quebra a cara quem tentar usar da desgraça dos outros para ganhar a eleição. Quem tentou fazer isso no primeiro turno não teve êxito", afirmou.
Apesar das condenações da antiga cúpula petista no STF, Tatto acredita que houve uma evolução na política nacional com o caso e disse que gostaria que os problemas envolvendo a reeleição do tucano Fernando Henrique Cardoso também fossem colocados em discussão.
"São dois pesos e duas medidas. Na época tiveram deputados que declararam que receberam dinheiro para votar no FHC, então são momentos diferentes da história do Brasil, é verdade, mas só espero que o que está acontecendo com esse processo processo dê continuidade. E acho que vai dar porque existe uma mudança nos ministros em relação a financiamento de campanha, então já que está mudando tem que mudar pra valer", completou.
O líder petista disse ainda que o julgamento já é "página virada" e que agora é o momento de dar continuidade ao "processo de governar o Brasil". "Mas bola pra frente. É uma página virada e vamos continuar a mudar a cara do País cada vez mais. Foi assim com o Lula e está sendo assim com a Dilma. Vamos fazer a disputa política no segundo turno. Não há nada que modifica nossa trajetória".
O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.
No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.
Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.
O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.
Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.
A ação penal começou a ser julgada em 2 de agosto de 2012. A primeira decisão tomada pelos ministros foi anular o processo contra o ex-empresário argentino Carlos Alberto Quaglia, acusado de utilizar a corretora Natimar para lavar dinheiro do mensalão. Durante três anos, o Supremo notificou os advogados errados de Quaglia e, por isso, o defensor público que representou o réu pediu a nulidade por cerceamento de defesa. Agora, ele vai responder na Justiça Federal de Santa Catarina, Estado onde mora. Assim, restaram 37 réus no processo.
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