Seleção marroquina tem jogadores que adiaram o Ramadã e outros que estão em jejum
Foto: Reuters
Foto: Reuters
Mais de três mil atletas muçulmanos participam dos Jogos Olímpicos de Londres e para eles o mês do maior evento esportivo do mundo é também o Ramadã, o mês sagrado para os islâmicos. Durante esse período, que começou no dia 20 de julho e vai até 18 de agosto, duas das tradições muçulmanas é jejuar e não ingerir líquidos desde o nascer do sol até o pôr do sol. Mas como atletas que participam de competições de alto nível podem ficar sem se alimentar e beber água?
Os líderes de delegação de países islâmicos encontraram uma saída justamente no livro sagrado dos muçulmanos, o Corão, já que uma passagem do livro fala que quem estiver doente ou em viagem pode abrir mão das tradições do Ramadã. Esse é o argumento para adiar o jejum para depois das competições. As informações são do jornal americano New York Times
De acordo com o periódico, líderes religiosos de algumas nações islâmicas, como o Egito, emitiram fatwas, que são decisões, para liberar os atletas da obrigação de jejuar durante o período dos Jogos.
Mesmo assim, as decisões finais são deixadas para os atletas. A anfitriã da olimpíada tem atletas muçulmanos que abriram mão do jejum para participar em plena forma das competições. O remador Moe Sbihi consultou estudiosos que lhe deram a opção de continuar se alimentando com a condição de fazer 60 doações de comida aos pobres para cada dia do Ramadã.
Outras seleções enfrentam problemas por causa da religião. É o caso da equipe de futebol do Marrocos. Dos 18 jogadores, nove estão obedecendo às tradições. O técnico, Pim Verbeek, que é holandês, afirma que o time enfrenta alguns questões de convivência. Segundo ele, a última refeição que os atletas todos fizeram juntos foi antes do último dia 20.
O entrosamento da equipe foi prejudicado já que existem dois grupos dentro da mesma concentração. Isso tem se refletido nos jogos, conta o técnico. Um exemplo foi na partida contra Honduras, empate em 2 a 2, que no final da partida dois jogadores foram selecionados para o exame antidoping, mas como não tomavam água não conseguiam produzir amostras de urina. Foram necessárias duas horas para a realização do exame.
A reportagem do New York Times destaca que alguns estudiosos afirmam que participar do Ramadã não prejudica o desempenho dos atletas muçulmanos nos Jogos Olímpicos, desde que esses se hidratem bastante a noite, façam boas refeições nesse período e durmam o suficiente.
Para se adaptar ao ritmo dos islâmicos, muitas cafeterias em Londres têm oferecido comidas típicas 24 h por dia. Essa medida foi aprovada pelos muçulmanos que estão jejuando durante a Olimpíada.
O jornal lembra que o calendário lunar muçulmano é crescente, e por isso o Ramadã também deve cair durante a Olimpíada de Inverno, em 2014, na Rússia.
Terra Noticias
Terra Noticias