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domingo, 15 de julho de 2012

Comissão da Câmara diz que ação em hospital do Rio foi 'truculenta'

Transferência de pacientes contou com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Foto: Luiz Roberto Lima/Futura Press
Transferência de pacientes contou com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar
Foto: Luiz Roberto Lima/Futura Press

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara dos Deputados considerou "sumária e truculenta" a transferência de pacientes do Hospital do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj), no centro, para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na zona norte. Onze pessoas que estavam internadas nessa unidade foram removidas durante a noite de sábado sob manifestações de indignação de funcionários do Iaserj. O Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) foi chamado para conter os protestos e "assegurar integridade dos pacientes".

Em nota, o deputado Domingos Dutra (PT-MA), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, informou que o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ) esteve no Iaserj neste domingo e "pode constatar várias arbitrariedades". De acordo com a nota, "todas ofensivas aos mais elementares direitos humanos".
A comissão considerou a intervenção "sumária e truculenta" e disse que as transferências foram feitas num sábado à noite "para minimizar a repercussão da violência oficial".
Ainda de acordo com as informações da CDH, restaram nove pacientes na unidade, mas a farmácia, o raio X e o banco de sangue estariam lacrados e os medicamentos só seriam suficientes para mais um dia.
Mais cedo, a Secretaria Estadual da Saúde do Rio de Janeiro considerou a ação "um sucesso" e disse, também por nota, que a equipe do Hospital Getúlio Vargas "recebeu os 11 pacientes, fez nova avaliação e concluiu que a transferência foi segura e não alterou o quadro clínico" deles.
"Qualquer agravamento do estado de saúde de pacientes transferidos abruptamente ou não atendidos é de responsabilidade exclusiva do governo estadual", afirma a Comissão dos Direitos Humanos.
A CDH da Câmara dos Deputados disse que "repudia esse procedimento e cobrará responsabilidades". Nesta segunda-feira, o deputado Chico Alencar apresentará em Brasília um relatório circunstanciado dos fatos, que será encaminhado à Presidência da República, ao Ministério da Saúde, à Secretaria de Direitos Humanos, aos Conselhos Nacionais de Justiça e do Ministério Público.
Futuro do Iaserj
O terreno do Iaserj foi cedido pelo governo do Estado do Rio em 2008 para o Instituto Nacional do Câncer (Inca). No local, será erguido um centro de tratamento e pesquisa dessa doença. Segundo os dados da Secretaria de Saúde, cresce a demanda por este tratamento entre a população do Rio.