O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) negou nesta sexta-feira ter pagado os serviços do jornalista Luiz Carlos Bordoni, que foi coordenador de sua propaganda eleitoral no rádio em 2010, com dinheiro de uma empresa laranja ligada ao bicheiro Carlinhos Cachoeira. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o assessor de imprensa disse que recebeu R$ 45 mil da Alberto e Pantoja, empresa fantasma que seria controlada pelo contraventor.
Ainda segundo Bordoni, o depósito de metade da dívida total, de R$ 90 mil, na conta de sua filha foi comandado por Lúcio Fiúza Gouthier, assessor especial de Perillo. "As afirmações do senhor Luiz Carlos Bordoni em relação à campanha do governador Marconi Perillo são mentirosas e irresponsáveis", diz a nota oficial do governo goiano.
Conforme o comunicado, o jornalista foi contratado como locutor por meio de uma agência pelo comitê de campanha do PSDB para prestar serviços de gravação de áudio pelo valor de R$ 33,3 mil, compatível com valores praticados pelo mercado. "O pagamento foi realizado dentro do prazo legal, não restando débito algum. Tudo feito de acordo com as regras legais e constantes da prestação de contas da campanha já aprovadas pela Justiça Eleitoral." Bordoni afirmou ao jornal que precisou cobrar da equipe de Perillo a dívida, que já durava seis meses.
De acordo com a nota emitida, Lúcio Fiúza não participou, em momento algum, da contratação ou pagamento referentes à campanha de 2010, porque esta atribuição era do comitê geral de campanha. "Quem deve explicações sobre o depósito em sua conta corrente é o favorecido." O governo diz ainda "estranhar" o fato de Bordoni, "na falta de uma explicação plausível que justifique o crédito na conta corrente de sua filha, fazer circular esta versão fantasiosa, querendo incriminar a campanha do governador Marconi Perillo".
Bordoni alega que veio a público denunciar o pagamento quando o nome de sua filha foi citado no Conselho de Ética do Senado, durante depoimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) esta semana, ao se sentir ferido em sua credibilidade. Demóstenes responde a processo de quebra de decoro parlamentar por suas relações com Cachoeira.
Depois da repercussão, o jornalista escreveu em seu blog que "em momento algum" questionou "a honorabilidade do senhor governador, como alardeiam certos picaretas da mídia. Não fosse ele probo, jamais teria participado de suas campanhas". Segundo o jornalista, com as declarações, ele somente quis esclarecer a citação do nome da filha durante o interrogatório do senador Demóstenes. "Apenas narrei a razão do depósito, pois nem mesmo nós sabíamos a origem do dinheiro e, em momento algum, disse ter o governador conhecimento disso", pontuou.
Bordoni ainda disse que não vai se pronunciar sobre a polêmica. "Não darei entrevistas sobre o assunto. O que tinha a dizer já foi dito", afirmou. Após a divulgação da nota do governo sobre o caso, Bordoni se manifestou também pelo Twitter. "Irresponsável é a assessoria palaciana. A nota sim é mentirosa", disse. Segundo o jornalista ele vai pedir quebra de sigilo telefônico para provar suas declarações.
Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.
Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.
Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.
Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.
Terra Noticias
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