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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

RJ: Justiça mantém condenação de ex-deputado ligado a milícia


A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) manteve nesta terça-feira as condenações do ex-deputado estadual Natalino José Guimarães e de Fábio Pereira de Oliveira, o Fábio Gordo, a quatro anos e seis meses de reclusão e quatro anos e um mês de prisão, respectivamente, por posse e porte ilegal de armas de uso restrito. A decisão foi proferida no recurso interposto pelos réus contra sentença da 42ª Vara Criminal da Capital, que os havia condenado em março de 2010.
Segundo o TJ-RJ, Natalino e Fábio Gordo foram flagrados por policiais civis da 35ª DP e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) em 22 de julho de 2008, juntamente com os demais integrantes da milícia Liga da Justiça, no interior da residência de Natalino, em Campo Grande, zona oeste do Rio. Na ocasião, foram apreendidas armas, toucas ninjas, coletes à prova de balas, carregadores e munição.
Para o relator do recurso, desembargador José Augusto de Araújo Neto, os argumentos da defesa são "absurdos". Os advogados alegaram que as provas contra os réus são precárias, uma vez que as armas teriam sido jogadas para dentro do imóvel a fim de incriminá-los, e que a sentença baseou-se em depoimentos inidôneos de policiais que participaram da operação.
"Impossível se mostra a absolvição dos réus com base na tese de precariedade da prova", afirmou o relator. José Augusto de Araújo Neto disse que a operação que resultou no desmantelamento da quadrilha contou com a participação de inúmeros servidores públicos e que seus depoimentos não invalidam a prova, mesmo no caso de alguns dos policiais estarem respondendo a processos.
"Inexiste o mais tênue indício de que os agentes da lei que efetuaram a prisão em flagrante dos apelantes tivessem qualquer motivo pessoal para justamente procurar incriminá-los", destacou o desembargador.
Quanto às armas que teriam sido lançadas pelo muro da residência, José Augusto de Araújo Neto disse ser impossível que elas ultrapassassem um muro de 3 m de altura, juntamente com coletes, encontrados arrumados no quintal de Natalino. O voto do desembargador foi acolhido por unanimidade.
A milícia Liga da Justiça atuava nos bairros de Campo Grande, Guaratiba, Paciência, Cosmos e Santa Cruz, onde praticava os crimes de extorsão, sequestro, constrangimento ilegal, ameaças e homicídio qualificado.
A Liga da Justiça
A Liga da Justiça, no auge de seu período de atuação, dominou importantes comunidades da zona oeste do Rio - como Rio das Pedras e Gardênia Azul. Natalino Guimarães, ex-deputado estadual pelo DEM e ex-inspetor de Polícia Civil, foi preso em julho de 2007, após ser flagrado em casa numa reunião com cerca de 15 homens - todos supostamente membros da Liga da Justiça. Houve tiroteio e Natalino foi interceptado quando tentava uma fuga de carro. Detido, ele promoveu a cena que ficou marcada na época ao levantar as mãos algemadas gritando inocência.
A cena acabou reproduzida, anos mais tarde, no filme Tropa de Elite 2 - quando um dos envolvidos com a milícia na trama, o deputado Fortunato, sai algemado e faz o mesmo gesto, após ser detido dentro da Assembleia Legislativa do Rio.

Terra Noticias