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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Lewandowski: soube que não votaria hoje 15 minutos antes da sessão

Lewandowski e Barbosa chegaram a se desentender sobre a forma que deveriam ser proferidos os votos . Foto: Nelson Jr./SCO/STF/Divulgação
Lewandowski e Barbosa chegaram a se desentender sobre a forma que deveriam ser proferidos os votos 
Foto: Nelson Jr./SCO/STF/Divulgação

FERNANDO DINIZ

Direto de Brasília

Revisor do processo do mensalão, o ministro Ricardo Lewandowski foi informado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, no cafezinho antes da sessão, que não votaria nesta segunda-feira. Com o voto preparado para deliberar sobre as acusações envolvendo o deputado João Paulo Cunha e a empresa SMP&B, de Marcos Valério, Lewandowski soube às 14h15 da intenção do relator, Joaquim Barbosa, em continuar lendo seu voto.
Era esperado, até as 14h30 desta segunda-feira, que Barbosa colocaria em votação o item três de seu voto, que envolve denúncias de corrupção contra João Paulo Cunha, suspeito de favorecer a empresa de Valério em contratos com a Câmara dos Deputados. O relator surpreendeu seus pares ao incluir as acusações contra o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, acusado de desviar dinheiro de um contrato da instituição financeira com a DNA Propaganda, também de propriedade de Valério.
A leitura de mais uma parte do voto de Barbosa impediu a atuação de Lewandowski nesta segunda-feira. Contrário ao julgamento "fatiado" do mensalão, o revisor teve de "pinçar" trechos de parte dos 38 votos separados. E terá que pescar mais informações, agora que sabe que o capítulo lido por seu colega é ainda maior.
O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.
No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.
Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.
O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.
Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.
A ação penal começou a ser julgada em 2 de agosto de 2012. A primeira decisão tomada pelos ministros foi anular o processo contra o ex-empresário argentino Carlos Alberto Quaglia, acusado de utilizar a corretora Natimar para lavar dinheiro do mensalão. Durante três anos, o Supremo notificou os advogados errados de Quaglia e, por isso, o defensor público que representou o réu pediu a nulidade por cerceamento de defesa. Agora, ele vai responder na Justiça Federal de Santa Catarina, Estado onde mora. Assim, restaram 37 réus no processo.

Terra Noticias