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terça-feira, 3 de julho de 2012

Nenhum convocado aparece, e CPI do Cachoeira encerra sessão


Depois de bate-boca e choro, CPI tem dia de silêncio


A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira, que investiga as relações do bicheiro com políticos e agentes privados, não conseguiu realizar as oitivas marcadas para esta terça-feira, no Senado. Os quatro depoentes não se apresentaram à comissão e a sessão foi encerrada. "Todos serão convocados novamente", afirmou o presidente da Comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).
Ana Cardozo de Lorenzo, sócia da empresa Serpes Pesquisas de Opinião e Mercado, não avisou nem justificou sua falta. A Serpes foi contratada pela campanha do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). O pagamento, segundo a Polícia Federal, foi feito com dois cheques, no valor de R$ 56 mil, da empresa fantasma Alberto & Pantoja Construções, envolvida no esquema de Cachoeira.
Outra convocada, Rosely Pantoja da Silva, sócia da Alberto & Pantoja - que, também segundo a PF, seria do grupo de Carlinhos Cachoeira-, não foi encontrada para ser notificada. Vital do Rêgo informou que já solicitou ajuda da PF para localizá-la.
A CPI também tentou ouvir o policial aposentado Joaquim Gomes Thomé Neto, suspeito de ser um dos arapongas a serviço de Cachoeira, e Edivaldo Cardoso de Paula, o ex-presidente do Detran de Goiás, que apareceu nas escutas telefônicas gravadas pela PF conversando com aliados do bicheiro. Thomé já havia conseguido um habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal, garantindo seu direito de ficar calado. Edivaldo encaminhou um atestado médico para justificar a falta e pediu que nova data fosse marcada.
Na próxima quinta-feira, a CPI realiza reunião administrativa para definir os rumos que as investigações deverão tomar depois do recesso parlamentar, que começa dia 17. O embate desta semana ficará entorno das possíveis convocações de Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta Construções, e de Luiz Antônio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O requerimento para que o prefeito de Palmas (TO), Raul Filho (PT), venha à Brasília explicar suas relações com Cachoeira também aguarda por votação.
Se falar à CPI, Cavendish pode elevar a investigação sobre a empresa Delta, até agora restrita ao âmbito da região Centro-Oeste, para nível nacional. Essa possibilidade preocupa parte do governo, pois pode abrir suspeitas sob contratos da Delta dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), vitrine do governo Dilma Rousseff.
Luiz Antônio Pagot, ex-diretor-geral do Dnit, denunciou o uso de verbas públicas para suposto caixa dois de campanhas eleitorais no Estado de São Paulo. Para a imprensa, ele disse que duvidava que fosse chamado a falar à comissão, alegando que muitos têm medo. "Duvido que a CPI me chame. Muitos ali têm medo do que eu possa contar", afirmou em entrevista. O governo também teme que Pagot use a CPI com palco para atacar ministros ou aliados.
Carlinhos Cachoeira 
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.
Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.
Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.
Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.
No dia 25 de junho, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado aprovou a cassação de Demóstenes. Em decisão unânime, por 15 votos a zero, o colegiado aprovou o relatório do senador Humberto Costa (PT-PE), que recomendou a perda do mandato do senador. O parecer do Conselho de Ética deverá ser examinado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e, se aprovado, passará por nova votação no Senado, que poderá definir a cassação definitiva de Demóstenes.
Com informações da Agência Câmara

Terra Noticias