Principais jogadores da duas seleções possuem as mesmas características
Foto: Getty Images
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Ele é o grande capitão, sinônimo de experiência, recordes e defesas improváveis. Cabe para Iker Casillas e Gianluigi Buffon. Já este representa a coordenação do meio-campo, o termômetro do time, o momento da pausa e a assistência perfeita. Cabe para Xavi Hernández e também Andrea Pirlo. Na decisão da Eurocopa deste domingo, às 15h45 (de Brasília) no Estádio Olímpico de Kiev, Espanha e Itália tentarão provar qual é a melhor do continente, por mais que tenham semelhanças. A começar por seus líderes.
Xavi ou Pirlo: no comando
Xavi ou Pirlo: no comando
Antes, os maestros. Xavi e Pirlo se cruzaram pela primeira vez em 2000: no Europeu Sub-21 daquele ano, Xavi vestia a camisa 10 da Espanha, terceira colocada. Pirlo era o camisa 10 da campeã Itália. Meias mais ofensivos que atualmente, eles enfrentaram um momento em que os jogadores mais fracos fisicamente tinham menos espaço. Xavi passou oito anos atrás de um reconhecimento pleno que só teve a partir de 2008. Pirlo foi desprezado pela Inter de Milão, mas abraçado por Carlo Ancelotti virou o dono do meio do Milan.
"Me sinto afortunado. Em muitos anos, o futebol tendia a ser mais físico, de mais contenção, de se especular. Os jogadores débeis fisicamente não tinham sorte. Mas ganharam equipes que tentam jogar um futebol vistoso, técnico, como o Barcelona e a Espanha. É fenomenal ter jogadores como os da seleção italiana e espanhola", disse Xavi no sábado pré-jogo. "Ele sempre joga bem. Sempre mostra seu talento e solidariedade ao time. É quem define nosso estilo", resumiu Vicente del Bosque.
Xavi vive fase de grande desgaste físico por mais uma temporada de muita intensidade e ambições com o Barcelona. Também se ressente de atacantes mais contundentes para dar passes precisos como o que permitiu a Fernando Torres fazer o gol do título contra a Alemanha na Euro 2008. Pirlo, por outro lado, está em evidência e ascensão. Campeão italiano invicto com a Juventus, ficou imune às lesões dos tempos de Milan e ressurgiu na seleção como o grande regente da Euro. Prandelli explica.
"Nosso meio-campo tem muita qualidade. Podemos correr muito e pressionar no meio-campo. Temos um jogador que aumenta o nível do time e tentamos dar a bola sempre a ele, que é Pirlo. Os outros tentam roubar a bola e entregar a Pirlo para ele encontrar os espaços", definiu Prandelli. O primeiro gol contra a Alemanha é o exemplo: o camisa 21, da marca de meio-campo, acha Chiellini livre na ponta esquerda. Ele serve Cassano, que gira sobre a marcação e cruza para o gol de Balotelli. Tudo começa com Pirlo.
Casillas ou Buffon: quem levanta a taça?
Só há uma certeza entre os finalistas da Eurocopa: um goleiro levantará o troféu de campeão. Mas a importância de Iker Casillas, 31 anos, e Gianluigi Buffon, 34 anos, vai muito além de simplesmente levantar a taça. São líderes, recordistas e jogadores respeitados por todos os companheiros. Jamais falharam nos momentos mais extremos com suas seleções. São campeões do mundo. Chegam à final desse domingo após ganharem os títulos nacionais com Real Madrid e Juventus. E após também encantar na Euro.
"Buffon é um jogador de primeira linha", define Andrea Pirlo, o outro campeão mundial acima dos 30 anos na Itália. "Ele está sempre pronto para motivar os mais jovens, para transmitir calma. Ele está realmente orgulhoso desse time e de onde chegamos. Tem muito orgulho da camisa da seleção", afirmou após a vitória sobre a Alemanha. "Iker é o capitão e um exemplo para todos desde muito jovem. Seu comportamento é grandioso. Buffon é o mesmo para os italianos", resumiu o treinador espanhol Vicente del Bosque.
Entre os dois goleiros, aliás, os elogios também são recíprocos e acalorados. "Ele tem minha admiração e meu respeito máximo", apontou Casillas. "É um goleiraço excepcional que com 34 anos está na altura dos melhores. Para nós que somos mais jovens, foi uma referência, nos incentivava, queríamos ser parecidos a ele. Nossa relação é boa, é um prazer enfrentá-lo", disse. "Casillas é fantástico. Tenho muito respeito por ele, é uma das posições mais difíceis. Fico feliz porque estamos aqui", retribuiu Buffon.
Há dois encontros importantes e recentes entre eles. Na Eurocopa 2008, Casillas brilhou na decisão por pênaltis das quartas de final contra a Itália de Buffon. Brilhar nesse tipo de decisão é rotina para Iker, que venceu três de quatro disputadas com a seleção - a última, na quarta, contra Portugal. O outro encontro foi na abertura do Grupo B e o empate por 1 a 1 não escondeu duas ótimas atuações dos arqueiros. Se há uma certeza sobre a final, é a de que não será fácil passar por Iker e Gigi.