O pré-candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, disse nesta terça-feira que seria "demagógico" de sua parte ter aparecido na Parada GLBT, realizada no último domingo no centro da capital paulista. Conhecido por ter forte apelo junto ao eleitorado católico, o deputado federal, que teve no mesmo horário da passeata uma agenda de pré-campanha pelo partido no bairro do Sapopemba, na zona leste, negou que sua aparição poderia ser reprovada pelo eleitorado mais conservador.
"Eu até refleti se deveria ir ou não, mas como eu nunca fui, achei que seria demagógico ir, seria um oportunismo", disse ele, que afastou a possibilidade de desconforto junto ao seu eleitorado com o tema homossexual. "Eu não vou ser o prefeito de uma religião, eu vou ser o prefeito de uma cidade. O eleitorado tem que ter essa maturidade de que um candidato é candidato a prefeito de toda a cidade."
O deputado fez as declarações ao participar, nesta terça-feira, de um encontro com integrantes do Sindicato dos Auditores Fiscais Tributários do Município de São Paulo, no Centro. Durante a audiência, Chalita apresentou suas propostas para a cidade e ouviu as demandas dos profissionais, que pleiteiaram maior participação na formação e consultoria da prefeitura, além de maior modernização nos processos de arrecadação.
"Nós não temos mais nota fiscal em papel na cidade de São Paulo, algumas declarações que o contribuinte tinha que prestar foram extintas... E tudo com uso intenso de tecnologia", disse o auditor fiscal Hélio Campos Freire, cobrando redução na burocracia e maior transparência. "Além de arrecadar, temos que nos preocupar com o destino dos recursos da prefeitura", acrescentou.
"A prefeitura conseguiu modernizar toda a gestão tributária de São Paulo, com a nota fiscal paulistana e a simplificação de processos, por exemplo", consentiu Chalita. "Mas a área da construção, da aprovação de plantas é muito lenta e falta objetividade: você não sabe do que vai precisar para construir um prédio em SP", criticou ele, lembrando do caso do Shopping JK, impedido pela prefeitura de abrir por falta de obras de compensação. "A insegurança jurídica é um dos principais problemas da cidade."
A reunião fez parte de uma série de encontros que o pré-candidato vem fazendo para elaborar seu plano de governo e para apresentar suas propostas para a prefeitura. Logo após o encontro, Chalita correu para uma outra reunião interna antes de ir para Brasília, para cumprir a agenda de deputado. "Se eu sentir que vou precisar faltar em Brasília por causa da campanha, aí eu me licencio do cargo", declarou. "Por enquanto, eu vou tentar conciliar."
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