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domingo, 10 de junho de 2012

Governador do DF prestará depoimento à CPI nesta semana

Agnelo Queiroz é citado em conversas telefônicas gravadas pela PF. Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil
Agnelo Queiroz é citado em conversas telefônicas gravadas pela PF
Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

O governador do Distrito Federal (DF), Agnelo Queiroz (PT), prestará depoimento nesta semana à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira. O depoimento está marcado para a próxima quarta-feira. "Será uma oportunidade para Agnelo esclarecer possíveis dúvidas sobre sua relação com Cachoeira", comentou o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG).
A convocação do governador do DF foi aprovada há duas semanas, no mesmo dia em que a comissão aprovou a convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
Gravações da Polícia Federal, feitas durante a Operação Monte Carlo, flagraram o então chefe de gabinete de Agnelo, Cláudio Monteiro, em conversa com pessoas ligadas a Carlinhos Cachoeira. Quando as denúncias foram veiculadas pela imprensa, Monteiro pediu afastamento do cargo.
A empresa Delta, acusada pela Polícia Federal de fazer parte da organização comandada por Cachoeira, era responsável pela coleta de lixo no Distrito Federal e seu contrato foi suspenso na semana passada.
Carlinhos Cachoeira 
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.
Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.
Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.

Terra Noticias